quinta-feira, 17 de setembro de 2009

ÉPOCA E VEJA tomam partido pelos ricos e opressores


Luís Gonzaga Belluzzo (http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/um-olhar-sobre-nossa-imprensa)
Eu estava na ante-sala de uma médica, em Salvador. Sábado, dia 29 de agosto. E apenas por essa contingência, dei-me de cara com uma chamada de primeira página - uma manchetinha - da revista Época, já antiga, de março deste ano de 2009: "A moda de pegar rico" - as prisões da dona da Daslu e dos diretores da Camargo Corrêa. Alguém já imaginou uma manchete diferente, e verdadeira como por exemplo, A moda de prender pobres? Ou A moda de prender negros? Não, mas aí não. A revolta é porque se prende rico. Rico, mesmo que cometendo crimes, não deveria ser preso. Lembro isso apenas para acentuar aquilo que poderíamos denominar de espírito de classe da maioria da imprensa brasileira. Ela não se acomoda - isso é preciso registrar. Não se acomoda na sua militância a favor de privilégios para os mais ricos. E não cansa de defender o seu projeto de Brasil sempre a favor dos privilegiados e a favor da volta das políticas neoliberais. Tenho dito com certa insistência que a imprensa brasileira tem partido, tem lado, tem programa para o País. E, como todos sabem, não é o partido do povo brasileiro. Ela não toma partido a favor de quaisquer projetos que beneficiem as maiorias, as multidões. Seus olhos estão permanentemente voltados para os privilegiados. Não trai o seu espírito de classe.

Esse texto acima do economista Luiz Gonzaga Belluzzo revela uma realidade de parte considerável de nossa imprensa. A revista INVeja por exemplo na sua edição 2.128 ano 42, nº 35 de 2 de setembro de 2009 agride e acusa o MST e suas lideranças de desvio de dinheiro público. Se analisarem criticamente INVeja tenta criminalizar o MST como a Ditadura fazia, sem direito a defesa, ao contraditório. Aliás, INVeja faz parte do esquema hegemônico da mídia que esta assombrada com a possibilidade de se aprovar uma legislação mais democrática para os meios de comunicação. Eles dizem pregar liberdade de imprensa e de expressão, mas calam as vozes daqueles que são expostos como o MST que esta sendo associado como uma organização de bandidos. Foram oito páginas de acusações, sem nenhuma única linha apresentando o contra-ponto do MST. Ademais, INVeja ao apresentar um MST dividido o faz de forma demagógica e inresponsável. Para a revista se o MST faz oposição ao governo, organiza manifestações e ocupações de prédios públicos, o faz para chantagear. Se não pressiona o governo é porque é pelego. Na verdade a revista aposta no sensacionalismo para impressionar o leitor e convencê-lo de que o MST merece ser destruído e talvez colocado na clandestinidade como defendem a bancada ruralista no congresso. Contra o MST a revista é uma verdadeira Agencia de Investigação, entretanto, em relação ao Banqueiro Daniel Dantas, a revista se cala, ou faz sua blindagem de todas as formas. Isso é mais uma prova de que parte considerável da imprensa brasileira toma partido, no caso de INVeja toma partido pelos latifundiários e banqueiros.

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